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Magnet
Biometria para todos
06/03/2003
Alexandre Mandl
A prática de digitar nome e senha
do usuário pode ser coisa do passado em pouco tempo. O
termo biometria está cada dia mais próximo do cotidiano
dos usuários de informática. Só resta agora saber como
começar a utilizar ou montar sistemas de identificação
com a tecnologia.
Vale lembrar que toda a idéia da
biometria é conhecida pelo homem desde os primórdios.
Afinal de contas, distinguir um indivíduo do outro através
das suas características físicas é um conceito que existe
há muito tempo. A única diferença é que a interação
agora se dá com o computador e não com outro ser humano.
Pois bem, a biometria vem
justamente a aproveitar essas características únicas das
pessoas. Aliás, é preciso ressaltar que existem poucas
"marcas" que podem servir de identificação ambulante
dos usuários: a íris dos olhos, impressão digital, a face
do rosto, as mãos e a retina.
Mesmo com essa possível
simplicidade do "conceito" biometria, os custos de um
sistema biométrico eram impagáveis até bem pouco tempo
atrás. Agora, a situação começa a mudar. Exatamente por
isso, o usuário precisa saber o que é mais adequado para
as suas necessidades.
UTILIZAÇÃO ADEQUADA
Antes de saber qual é o sistema
mais adequado para a sua casa ou escritório, é mais do que
recomendável ter uma noção de como funciona toda a
arquitetura da biometria. De início é bom saber que não
tem segredo.
Basicamente, a idéia consiste no
envio dos dados das características do usuário. Isso vale
desde a sua impressão digital até a composição da sua
retina. Depois disso, as informações são comparadas com o
exemplo do que está armazenado no computador. Se houver
semelhança, a entrada é permitida, ou o contrário.
Esse sistema que diz "sim" ou
"não" quanto à identificação e autenticação
realmente já está acessível aos usuários comuns. Não é
mais para multinacionais. Com US$ 200 dólares dá para começar
a mexer muito bem com a brincadeira.
Uma vez compreendido o
funcionamento da tecnologia e qual o valor inicial a ser
gasto, o usuário precisa verificar a equação entre custos
e benefícios. "A biometria é um complemento útil para
sistemas de segurança de acesso, apesar de ainda ter custos",
completou David Bertelli, gerente de negócios da HP
Services.
DEDO-DURO
A impressão digital é o método
de biometria mais utilizado mundo afora. Só para se ter uma
idéia, os dispositivos biométricos por impressão digital
contabilizam 50% do que foi vendido de produtos do gênero
em 2001, segundo dados do Gartner. Além de ser mais barato,
sem barreiras culturais, ele também é seguro. Existe uma
chance em cem bilhões de uma pessoa ter a mesma digital que
a outra. "É a opção ideal porque combina boa aplicação
com bom balanço entre nível de uso e custo", confirmou
Trevor W. Prout, diretor de marketing do Biometric Group,
grupo de estudos americano especializado em biometria.
Existem três dispositivos que
podem coletar a impressão digital: ótico, capacitivo e
ultra-sônico. O primeiro trabalha através da reflexão da
luz sobre o dedo. Já o segundo mede o calor que sai da
digital. Por último, o terceiro envia sinais sonoros e
analisa o retorno deles como se fosse um radar milimétrico.
Não é preciso dizer muito que a
opção do sensor ótico é a mais utilizada e também a
mais segura. Tudo porque o usuário pode estar com o dedo
sujo e ainda assim ser reconhecido. Uma vez que a sua
digital não será colocada diretamente no sensor, mas em um
vidro onde ela é analisada por um laser.
Muito embora a tecnologia seja
relativamente simples e o recurso da impressão digital seja
confiável, o sistema também pode ser falho em certas horas.
"Apesar da baixa rejeição, estudos comprovam que de 1 a
2% da população pode não ter uma impressão
suficientemente boa para o sistema", disse Trevor W. Prout.
ROUQUIDÃO SONEGADA
De acordo com o IEEE Computer
Society, o reconhecimento digital da voz é um sistema com
um longo futuro pela frente. Diga-se de passagem, é
considerado o provável sucessor dos populares leitores de
impressão digital.
A primeira coisa que precisa ser
dita sobre a tecnologia é que ela não funciona como uma
literal reconhecedora da voz. Na realidade, é um sistema de
autenticação de voz. Ou seja, a voz é transformada em um
texto e aí sim é confirmada em um banco de dados.
Por mais que pareça simples o seu
funcionamento, o conceito de reconhecimento de voz é
complicado. Não é todo ambiente que é propício ao
sistema. A poluição sonora pode atrapalhar, e muito, a
precisão da tecnologia. Justamente por isso, produtos do gênero
ainda têm muito que evoluir.
OLHO MÁGICO
O reconhecimento de íris é o
sistema que Hollywood adora ilustrar nos seus filmes. A história
do reconhecimento da íris é indicada desde a década de 60
com o cientista John Daugman, da Universidade de Cambridge.
Segundo estudos de Daugman, é uma tecnologia seis vezes
mais segura que a utilizada na impressão digital.
Os leitores da íris colhem dados
exatamente da porção colorida do olho a uma distância de
25 cm, em média. Além de fazer uma leitura em menos de
vinte segundos, aparelhos da tecnologia se situam na lista
dos mais seguros do mundo. "A íris é o único padrão
individual que permanece inalterado por toda a vida do indivíduo",
afirma Renato Soliman, gerente nacional de vendas da LG
Electronics.
A funcionalidade do sistema é
tamanha, que mesmo com lentes de contato ou óculos, o usuário
é reconhecido sem problemas. Porém, não chegaremos a um
dia ver a facilidade que os leitores de íris tinham para
captar a identidade de um usuário no filme Minority Report.
"A tecnologia utilizada a grandes distâncias, como no
filme, não é certamente possível", disse Trevor W.
Prout, diretor de marketing do Biometric Group. "Além
disso, é muito difícil inscrever as pessoas no sistema.
Ele requer muita precisão na coleta dos dados. E outra, 11%
da população mundial, por questões técnicas da pureza da
sua íris, são inaptas a esta biometria", completa Celso
Fraga, vice-presidente operacional da Global e-Security.
ASSINATURA COMPROVADA
Para quem quer economizar, o
reconhecimento de assinatura é outro sistema indicado. Também
chamado de DSV (Dynamic Signature Verification, em inglês),
é a opção mais utilizada na comprovação de documentos.
Nessa história toda, inclui-se a assinatura digital de
cheques e transferências bancárias.
Por US$ 99 é possível comprar um
leitor do gênero. A análise da assinatura não é só
realizada de acordo com a prova final dos rabiscos, mas em
como ela é feita (velocidade, pressão e rapidez na composição
das letras).
FACE REVELADORA
O sistema de reconhecimento facial
é um dos menos intrusivos diante das opções existentes.
Através de uma série de fotografias, a alternativa
consegue identificar o usuário. Não é preciso fornecer
informações extremamente pessoais ao sistema como na
impressão digital ou na composição da íris.
Vale lembrar que qualquer câmera
digital consegue ser adaptada para um sistema do gênero.
Precisa ser apenas uma específica que consiga combinar com
os softwares do ramo adquiridos pelo usuário.
Enfim, a grande vantagem do
reconhecimento facial é a sua velocidade de reconhecimento
com baixo índice de intrusão no usuário. "As pessoas não
percebem que as suas características estão conferidas pela
câmera. Um banco pode instalar o sistema na sua porta giratória,
por exemplo", completou José Carlos Lopes de Almeida,
diretor da unidade de Automação Bancária da Itautec.
MÃOS DADAS
Um dos mais antigos, a biometria
da palma da mão é uma arquitetura voltada para o
reconhecimento da geometria das mãos dos usuários. No caso,
analisa-se não só palma, como também os dedos, do usuário.
Aliás, o leitor desta opção é
idêntico ao visto em filmes de Hollywood. Basta colocar a mão
no scanner e pronto. De acordo com especialistas, é um
sistema indicado para locais aonde se tem uma movimentação
de usuários muito grande. Isso porque a sua precisão é
muito baixa, mas a velocidade é inversamente proporcional.
RETINA FIEL
Os exagerados ou precavidos de
plantão podem escolher a biometria por retina como a sua
favorita. Isso porque ela é uma das poucas partes do corpo
que de forma alguma muda no decorrer do tempo. E mais, o
leitor do gênero mede a configuração dos vasos sanguíneos
no órgão. Daí a sua precisão e baixos custos de manutenção.
Pesquisada desde 1935, a
alternativa da retina encobre 900 pontos distintos que
prometem uma precisão maior que a dos sistemas concorrentes.
Só que existe um inconveniente: é preciso olhar fixo para
um ponto luminoso durante o funcionamento do leitor. E outra,
o sistema exige que o usuário retire os óculos para que
seja identificado corretamente.
Justamente por esta lista de pré-requisitos,
o sistema por retina acaba por ser relegado apenas a casos
extremos. Afinal de contas, não é qualquer usuário que
está disponível a ser lido por um aparelho em uma câmera
no estilo da que tira foto em 3x4.
IDENTIFICAÇÃO VIRTUAL
Por mais que se pense em biometria
para substituir crachás ou carteirinhas de entrada, o
comprador do produto não pensa apenas nessa idéia. Muitos
internautas querem utilizar a tecnologia no lugar das
tradicionais senhas do PC.
A demora para a chegada de sites
de comércio eletrônico com suporte a biometria se dá
principalmente por questões físicas. "Não tem como
confiar em um sistema onde eu não sei como o usuário está
enviando dados. Ele pode muito bem nem ter um aparelho de
biometria e burlar a autenticação", afirma Oswaldo Bueno,
da produtora de sites de comércio eletrônico Carpintaria
do Software. "O administrador da rede precisa ter o
controle físico de como a pessoa envia os seus dados",
confirma ele.
De acordo com Bueno, uma
arquitetura possível para sites de comércio eletrônico é
a fusão da biometria com outras tecnologias de segurança.
"Para garantir a segurança, o sistema mais adequado é a
utilização da certificação digital baseada em chave pública.
O sistema biométrico seria apenas um complemento a ele no
caso", diz ele.
Em poucas palavras, a biometria não
é um dos recursos mais indicados para Internet. "Para
Intranets é uma boa porque é possível definir o leitor
biométrico. Aí fica mais difícil a fraude", acrescenta
Bueno. E mais, o sistema não é tão caro para empresas.
Afinal de contas, "um sistema de biometria pela internet
deve custar uns R$ 20 mil para uma média empresa de
Internet", confirma José Rubens Moreira, diretor da
Borland na América Latina. Número não tão elevado para
uma grande companhia.
Se for o caso de não colocar os
dados numa Intranet, mas dentro de uma rede interna, os
custos caem mais ainda. "Você pode ter um certificado de
segurança por US$ 100 e implementá-lo por US$ 200 na
biometria", completa Celso Fraga, vice-presidente de operação
da Global e-Security.
BIOMETRIA COMBINADA
Quem realmente gostou da segurança
e das facilidades da biometria, pode começar a se planejar
para ver qual sistema lhe agrada mais. Como dito
anteriormente, a indicação de um sistema varia muito de
caso a caso.
No Brasil, as primeiras experiências
que surgem se dá através da combinação da biometria
facial com a de impressão digital. "Uma webcam pode muito
bem servir para monitorar e reconhecer uma pessoa. A impressão
digital vem para autenticar", diz Celso Fraga, vice-presidente
operacional da Global e-Security.
Segundo o dirigente, é possível
até mesmo comprar um sistema por US$ 200. "Se o usuário
quiser apenas segurança no seu PC, tem leitor com baixo
custo", diz Celso Fraga. "O que acontece é que os
vendedores querem vender a solução mais cara no Brasil.
Nem sempre ela funciona. Justamente por isso que o país está
muito cru na biometria", adiciona ele.
Para quem quer iniciar a utilização
da biometria com componentes robustos na sua empresa, é
aconselhável reservar o valor equivalente a um bom PC.
"Em relação aos custos, estes podem variar muito. Como
base podemos tomar um preço de cerca de US$ 1.000 a US$
2.000 por ponto de reconhecimento", concluiu José Carlos
Lopes de Almeida, diretor da unidade de Automação Bancária
da Itautec.
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